Vasco leva Boca ao Maracanã, uma SAF à mesa e vinte e seis anos para caber na mesma noite

O Vasco reservou uma única noite para resolver assuntos que normalmente exigiriam três temporadas, duas assembleias e um parente dizendo “eu avisei”. O time enfrenta o Boca Juniors na volta da semifinal da Sul-Americana, no Maracanã, com a chance de alcançar sua primeira final continental em 26 anos.

O endereço da partida precisou sobreviver a uma eliminatória própria. São Januário não cumpre a capacidade mínima exigida pela Conmebol para a semifinal; o pedido de uso do Maracanã foi negado pela administração Fla-Flu, seguiu para a Justiça, mudou de direção e terminou com o estádio confirmado. Antes de a bola rolar, o mando já havia disputado prorrogação de toga.

No campo, o confronto reúne duas camisas que não precisam de legenda e duas torcidas incapazes de tratar noventa minutos como evento recreativo. O Vasco chega carregando sua história no estádio onde conquistou três Brasileiros e onde pretende transformar memória em ferramenta, não em porta-retrato colocado para esconder rachadura.

Fora das quatro linhas, a semana também pode concluir a venda da SAF para a Almirante Participações. Enquanto a comissão técnica prepara o Boca, advogados e executivos preparam assinaturas. É uma divisão de tarefas sensata: um grupo marca Cavani; o outro confere se todas as páginas têm rubrica.

Se avançar, o Vasco reencontra uma decisão continental e entrega à torcida uma resposta em letras grandes. Se não avançar, restará a velha capacidade vascaína de sair de um drama entrando imediatamente no próximo. Nesta noite, porém, o clube tem Maracanã, semifinal e licença para acreditar sem consultar o histórico de boletos.