Maurus Amargus: o Fluminense precisa virar, portanto já pode encomendar o fim do mundo
MAURUS AMARGUS · FLUMINENSE
O Fluminense perdeu a ida por 2 a 1 e agora precisa vencer o Palmeiras por dois gols para ir diretamente à final da Libertadores. Se ganhar por um, haverá pênaltis. É uma situação horrível, terrível, uma porcaria aritmética servida num estádio adversário, com o regulamento usando guardanapo no colo.
Dizem que a diferença é mínima. Péssimo argumento. Um gol é uma montanha quando o outro lado pode empatar, gastar tempo e olhar para o relógio com a serenidade ofensiva de quem já trancou a porta. O Fluminense chegará obrigado a atacar, o que no futebol significa abrir espaços para que o desastre faça alongamento.
O time ainda vem de derrota para o Santos no Brasileiro. Pouparam titulares, explicaram a prioridade e entregaram ao ambiente um aperitivo de ansiedade. Tudo muito organizado, se o objetivo era transformar a semana numa sala de espera com revistas de 2009. Ganhar por dois do Palmeiras parece simples apenas para quem acompanha o jogo pelo placar do elevador.
E existe a hipótese dos pênaltis, esse método péssimo de decidir futebol por meio de cinco infartos regulamentares. Uma vitória por um gol não resolverá nada; apenas mudará o formato do sofrimento. O goleiro escolherá um canto, o cobrador escolherá outro e a humanidade perderá mais um pouco da confiança que ainda depositava em joelhos.
Meu prognóstico é proporcionalmente sensato: se o Fluminense não fizer um gol cedo, será o fim do mundo; se fizer, será o fim do mundo com esperança, modalidade ainda mais cruel. Talvez avance, porque o futebol adora contrariar gente amarga. Isso não tornará a noite menos terrível — só dará à calamidade a grosseria adicional de terminar em festa.




















