Corinthians troca oito derrotas por um empate, e Seedorf estreia como comentarista de arquibancada

Clarence Seedorf conheceu a Neo Química Arena pelo pacote mais brasileiro possível: ingresso, rádio na mão e nenhuma autorização para pisar no banco. Sem o visto de trabalho regularizado, o novo técnico assistiu da arquibancada ao empate por 1 a 1 entre Corinthians e Vitória, distribuindo ideias à distância como quem tenta montar um móvel pelo telefone.

O Corinthians começou pressionando e desperdiçou chances suficientes para abrir uma filial do setor de devoluções. Renê aproveitou um rebote no fim do primeiro tempo e colocou o Vitória na frente. A equipe baiana chegou pouco, mas trouxe a rara eficiência de quem entra no mercado por um item e sai antes da fila.

Na etapa final, um toque em André que primeiro rendeu amarelo por simulação virou pênalti após revisão do VAR. Yuri Alberto cobrou no canto, encerrou quase três meses sem marcar e igualou o placar. O centroavante disse que atuou com desconforto no estômago; o gol, ao menos, retirou da garganta uma cobrança muito maior.

O ponto interrompeu a sequência de oito derrotas corintianas, sem produzir exatamente uma carreata. O time chegou a 33 pontos, permanece em 16º e conserva só um de vantagem sobre o Internacional, primeiro clube do Z4. O Vitória foi a 37, em 13º, e saiu de Itaquera tratando o empate como comprovante de que o orçamento também sabe marcar.

Seedorf deve estrear à beira do campo contra o Vasco. Até lá, a primeira fotografia de seu trabalho continuará curiosa: o treinador olhando de cima, o Corinthians tentando subir por baixo e a tabela segurando o elevador com o pé.