Milly Vanilla: o primeiro gol de Coutinho pelo Santos liberta os guarda-chuvas esquecidos

Philippe Coutinho marcou de cabeça o gol da virada do Santos sobre o Fluminense e celebrou seu primeiro tento pelo clube. Um jogador que interrompeu a carreira, voltou ao futebol e reencontrou a alegria no Maracanã nos obriga a discutir, sem qualquer adiamento, a reinserção social dos guarda-chuvas esquecidos em restaurantes.

A relação é evidente para quem não está preso ao pensamento linear. Coutinho voltou a um lugar de pertencimento esportivo; o guarda-chuva permanece encostado atrás do caixa, sem identidade, representação ou uma pequena placa com seu nome. Ambos conheceram a espera. Só um deles recebeu cruzamento de Bontempo.

Defendo a criação de assembleias paritárias entre objetos perdidos, garçons e meteorologistas. Cada guarda-chuva deverá ter direito a uma segunda oportunidade, transporte digno e voto consultivo em dias de garoa. Os modelos quebrados não podem ser excluídos: são precisamente os que conhecem o peso estrutural do vento.

O Santos reuniu Neymar, Gabigol, Cebolinha e Coutinho e mostrou que trajetórias interrompidas podem voltar a ocupar espaço. Portanto, toda chapelaria deve reservar ao menos quarenta por cento de suas vagas para peças abandonadas há mais de três almoços. Não é cota; é reparação pluviométrica.

Alguns dirão que uma vitória por 2 a 1 não tem relação racional com políticas públicas para guarda-chuvas. Essa objeção demonstra por que a causa é urgente. Quando Coutinho cabeceou para a rede, milhares de cabos curvos recuperaram simbolicamente o direito de apontar para o céu.