Seedorf encurta os treinos, e o Corinthians tenta desintoxicar o vestiário antes de mexer na prancheta

Clarence Seedorf chegou ao CT do Corinthians e, antes de redesenhar o time, abriu as janelas. O treinador iniciou o trabalho com atividades curtas e intensas, além de conversas para aliviar a pressão de um elenco mergulhado numa sequência negativa.

A prioridade imediata é emocional. Seedorf ouviu profissionais do clube, procurou entender os jogadores e apresentou exercícios de passe, jogos em espaço reduzido e organização defensiva. O futebol ainda não ganhou cura instantânea, mas ao menos recebeu uma consulta sem música de elevador.

Na apresentação, o holandês comparou o Corinthians a um leão ferido. A metáfora combina com Itaquera: muita juba, muita cicatriz e alguns boletos circulando perto da jaula. A boa recepção do grupo ajuda, embora o campeonato não aceite sessões de confiança como critério de desempate.

Há também um detalhe burocrático. Pendências no visto de trabalho impedem Seedorf de comandar a equipe contra o Vitória; o auxiliar Léo Porto ficará à beira do campo, enquanto o novo chefe observa das tribunas. É um começo em que até a imigração marca por zona.

O plano é regularizar a situação para o jogo seguinte, diante do Vasco. Até lá, o Corinthians tenta trocar o ar sem trocar o prédio — uma reforma delicada quando o cronograma exige resultado antes de a tinta emocional secar.