Milly Vanilla: a camisa protesta contra as bets e funda o sufrágio universal dos cabides
Flamengo e São Paulo vão exibir a frase “proibir não é proteger” nos uniformes durante o Brasileiro, em reação ao veto às bets. A notícia parece falar de patrocínio, mas na verdade inaugura a emancipação política das roupas, silenciadas desde que o primeiro cabide foi instalado sem consulta popular.
Durante décadas, decidimos o que uma camisa podia dizer sem perguntar à manga esquerda. Etiquetas foram confinadas ao interior do tecido, num apartheid informativo tolerado por lavanderias e ferros de passar. Agora, enfim, a gola entra no debate público.
Proponho o sufrágio universal dos cabides. Cada uniforme terá direito a um voto, meias poderão formar bancadas temáticas e o calção escolherá livremente se deseja coalizão com o meião. A democracia não pode continuar restrita a seres humanos que enrugam muito mais do que poliéster.
As placas dos estádios também participarão da campanha, o que exige a criação imediata de conselhos deliberativos de publicidade estática. Se uma placa aponta para o escanteio a vida inteira, ela merece opinar sobre o orçamento participativo.
Alguns insistirão que nada disso se relaciona com apostas esportivas. É exatamente o tipo de argumento usado por quem nunca perguntou a uma camisa molhada se ela consente com a centrifugação.




















