Soteldo revê o Santos com dois gols pelo Fluminense, e a lei do ex pede documento de identidade
FLUMINENSE · SANTOS · BRASILEIRÃO
A lei do ex costuma chegar ao estádio sem ser convidada, ocupar a melhor cadeira e exigir que alguém reconheça firma. No reencontro entre Fluminense e Santos, porém, ela terá de apresentar documento: Soteldo pode encarar o antigo clube depois de uma passagem tricolor que ainda procura prova material de grande impacto.
O venezuelano foi contratado por R$ 30 milhões e soma 55 partidas, dois gols e cinco assistências pelo Fluminense. Os dois gols foram marcados em 2025. Reserva de Savarino, Serna e até do jovem Wesley Natã, ele pode receber oportunidade num time alternativo, já que o elenco principal divide atenção com a semifinal da Libertadores.
A comparação com a segunda passagem pelo Santos não oferece trilha sonora de superprodução. Foram 56 jogos, um gol e 11 assistências entre 2022 e 2024. Os números formam uma vizinhança modesta: de um lado, mais passes decisivos; do outro, uma compra cara tentando explicar ao condomínio por que quase nunca usa a piscina.
O encontro também pode reunir Soteldo e Neymar, amigos desde o período em que dividiram o vestiário santista. Amizade, porém, não marca lateral nem cobra escanteio. Quando a bola rolar, cada lembrança ficará do lado de fora, junto com as fotografias de Carnaval e as estatísticas que todo atacante prefere consultar sem testemunhas.
A torcida do Fluminense olha para o investimento e cobra mais do que composição de elenco. É uma cobrança compreensível: R$ 30 milhões não compram garantia de gol, mas costumam vir acompanhados de expectativa, lupa e um recibo com fonte grande. Um bom jogo contra o ex-clube não apagaria a conta; ao menos acrescentaria uma linha positiva ao extrato.
Soteldo terá, se entrar, a oportunidade perfeita para contrariar a própria média. A lei do ex não possui efeito automático, carimbo da CBF nem cláusula contratual. É só uma superstição com excelente assessoria de imprensa. Para transformar reencontro em notícia, o venezuelano precisará fazer o que nenhuma lenda faz por ele: produzir no campo.




















