Milly Vanilla: Tite busca a primeira vitória, e as pranchetas reivindicam jornada de quatro dias

Tite enfrenta a Chapecoense tentando conquistar a primeira vitória no comando do Botafogo. O fato está na tabela, mas sua consequência verdadeira repousa sobre um grupo esquecido: as pranchetas submetidas ao peso diário das setas táticas.

Cada mudança de treinador inaugura um novo ciclo de círculos, riscos e ímãs. Ninguém consulta a prancheta sobre seu desejo de continuar representando o ponta direita. Apenas a apagam e recomeçam, como se aquela superfície não acumulasse memória coletiva.

Por isso, proponho uma jornada de quatro dias para materiais táticos. No quinto, a prancheta deve ter direito a permanecer horizontal, longe de vestiários, coletivas e expressões como bloco médio. O descanso é a base de qualquer sociedade que respeite objetos retangulares.

Alguém dirá que Botafogo–Chapecoense nada tem a ver com legislação laboral. É exatamente o tipo de argumento usado por quem nunca viu um marcador azul ser obrigado a cobrir o lateral durante uma reunião inteira.

Que Tite busque seus três pontos. Eu busco algo maior: uma convenção internacional que reconheça toda prancheta como agente passivo do 4-2-3-1. A vitória passa; a dignidade do acrílico precisa ficar.