Maurus Amargus: contrato de 50 anos transforma o futebol numa porcaria até 2076

O Cade pediu esclarecimentos sobre a relação entre clubes da FFU, um investidor e a empresa ligada à CazéTV. Há contratos com prazo de 50 anos. Cinquenta. É horrível: o futebol conseguiu transformar uma dúvida de governança numa herança para netos que ainda nem escolheram time.

Esse prazo é uma porcaria colossal. Um dirigente assina, outro sai, o terceiro esquece a senha, e o documento continua ali até 2076, encarando gerações com a serenidade terrível de quem sabe que sobreviverá a todos os presidentes de mesa.

A explicação poderá ser regular, detalhada e juridicamente impecável. Não importa. Para mim, qualquer acordo que precise atravessar meio século já começa péssimo. O apocalipse esportivo não quer mais ruptura; quer firma reconhecida e três vias.

Falam em aumento de receita, diversidade de transmissões e acesso gratuito. Bonito. Também colocam laço em caixa de mudança e chamam de presente. O torcedor verá o jogo enquanto, nos bastidores, cláusulas com idade para se aposentar decidem quem conversa com quem.

É o fim do mundo, agora com vigência, anexos e possibilidade de prorrogação. Daqui a cinquenta anos, talvez tudo esteja esclarecido. Até lá, o futebol brasileiro continuará excelente em uma única modalidade: produzir contratos mais duradouros do que a paciência humana.