Corinthians reúne cinco candidatos, e a eleição abre um catálogo de consertos sem manual de montagem

Cinco candidatos entraram na disputa pela presidência do Corinthians carregando propostas para governança e recuperação financeira. É o tipo de eleição em que a urna deveria vir acompanhada de calculadora, chave de fenda e um técnico perguntando se alguém guardou a nota fiscal.

Osmar Stabile não concorre à reeleição. A cadeira, portanto, ficou disponível justamente quando o clube tenta interromper uma sequência ruim no Brasileiro, estreia um novo treinador e administra cobranças que já não cabem numa pasta com elástico.

As campanhas falam em reorganização, transparência e novas formas de comando. Tudo muito adequado para uma instituição na qual qualquer promessa de arrumação precisa primeiro descobrir em qual gaveta foi deixada a própria gaveta. O eleitor corintiano examina planos como quem lê orçamento de obra: sabe que o valor final costuma conhecer parentes que ainda não foram apresentados.

Há também um detalhe incômodo para os discursos grandiosos: o futebol segue jogando. Enquanto os candidatos explicam organogramas, o time encara o Vitória tentando voltar a ganhar depois de oito partidas. A política promete futuro; a bola cobra resposta antes do próximo coffee break.

No fim, cinco nomes oferecem caminhos diferentes para o mesmo endereço. O vencedor receberá votos, faixa imaginária e uma caixa de problemas sem manual de montagem. No Corinthians, até a transição de poder parece parcelada — e nenhuma parcela vem com desconto à vista.