Organizadas pedem saídas no Corinthians, e o Parque São Jorge vira assembleia com pauta de emergência

CORINTHIANS

Às vezes, uma reunião de futebol começa com café. A desta quinta no Parque São Jorge chegou direto na parte em que alguém empurra a pauta para o centro da mesa e pergunta onde foi parar o recibo. Lideranças das principais torcidas organizadas foram recebidas pelo presidente Osmar Stabile e pediram duas medidas imediatas: a saída do executivo Marcelo Paz e o afastamento de Memphis Depay.

Cerca de vinte pessoas participaram do encontro, entre elas dirigentes da Gaviões da Fiel e da Estopim da Fiel. As cobranças se concentraram na gestão do futebol e na situação financeira do clube. O ambiente, segundo a apuração publicada sobre a conversa, teve críticas duras e xingamentos — o método corintiano de substituir a apresentação de slides por uma apresentação de indignação.

Marcelo Paz virou alvo pelo comando do departamento. Memphis, já questionado em outra reunião realizada no CT menos de um mês antes, recebeu novo pedido de distância do elenco. Rodrigo Garro havia aparecido entre as críticas anteriores, mas desta vez a lista entregue a Stabile veio mais curta e, por isso mesmo, com a delicadeza de um boleto impresso em fonte 72.

O episódio coloca Seedorf diante de uma tarefa que não cabe inteira na prancheta. Ele pode desenhar pressão alta, linha de quatro e saída apoiada; a torcida quer também pressão sobre a diretoria, linha de pagamento e saída para uma crise que já decorou o caminho entre o CT e o Parque São Jorge.

A reunião terminou sem anúncio das mudanças exigidas. Ficou, porém, um recado impossível de arquivar: no Corinthians, a emergência esportiva e a financeira agora ocupam a mesma sala, e nenhuma das duas aceitou esperar do lado de fora.