Milly Vanilla: pouca posse vence, e as minorias estatísticas exigem assento no plenário

O Palmeiras venceu o Fluminense por 2 a 1 mesmo tendo perto de 30% da posse de bola. O dado parece tático, mas é, na verdade, um pedido urgente de representação política para percentuais minoritários.

Durante décadas, os números abaixo de 50 foram tratados como coadjuvantes: aparecem pequenos no rodapé, não escolhem relator e jamais presidem comissão. Agora, 30% entrou no Maracanã, ganhou uma semifinal e provou que a democracia aritmética não pode continuar submetida à tirania da maioria.

Defendo a criação de uma bancada proporcional formada por estatísticas que quase nunca recebem microfone: posse sem passe vertical, finalização bloqueada, escanteio curto e acréscimo não utilizado. Cada uma terá direito a gabinete, cafezinho e um assessor especializado em dizer que o número precisa ser contextualizado.

O gol do Fluminense no fim apenas reforça o projeto. Se os 70% acordaram tarde, é porque a sociedade ainda não ofereceu educação cívica suficiente às grandes maiorias. A bola saiu do campo; a reforma eleitoral dos gráficos acaba de começar.