Vasco vence na Bombonera com dez, e a catraca argentina pede prorrogação

VASCO · COPA SUL-AMERICANA

Escudo do Vasco

A Bombonera empurrou, ferveu e tentou inclinar o gramado, mas o Vasco saiu de Buenos Aires com uma vitória por 1 a 0 sobre o Boca Juniors na ida da semifinal da Copa Sul-Americana. Foi uma noite em que o visitante guardou o resultado no bolso interno do casaco e passou pela catraca fingindo naturalidade.

Adson marcou de cabeça ainda no primeiro tempo, depois de cruzamento de Andrés Gómez. O gol nasceu num trecho em que o time carioca jogava melhor e tratou a área argentina como sala de espera: entrou, sentou e foi chamado antes do previsto.

A tranquilidade perdeu o voo de volta aos 18 minutos do segundo tempo. Gómez reclamou, empurrou o árbitro Piero Maza, recebeu dois cartões amarelos em sequência e deixou o Vasco com dez. O mesmo jogador que entregara a bola do gol resolveu também entregar ao restante do time um curso intensivo de resistência.

O Boca aumentou a pressão, enquanto a defesa vascaína e Léo Jardim trabalharam como porteiros diante de uma excursão sem nome na lista. Cada afastada ganhou a solenidade de uma assinatura em cartório; cada minuto gasto parecia precisar de reconhecimento de firma.

A volta está marcada para a próxima terça-feira, às 21h30, e ainda carrega discussão sobre o local. A Justiça voltou a determinar o Maracanã, mas a novela do estádio já mudou de direção vezes suficientes para o ingresso pedir cláusula de estabilidade.

Antes da decisão, o Vasco enfrenta o São Paulo pelo Brasileiro. Leva da Argentina uma vantagem mínima, um suspenso importante e a certeza pouco científica de que sobreviver a uma Bombonera em ebulição dá direito, ao menos por alguns dias, a caminhar pela Colina como quem encontrou a senha do cofre.