Palmeiras perde Vitor Roque, e Marlon Freitas transforma a semifinal em reunião de condomínio

Escudo do Palmeiras

PALMEIRAS · LIBERTADORES

A prancheta do Palmeiras perdeu um atacante e ganhou uma cadeira extra no meio-campo. Vitor Roque sofreu uma entorse leve no tornozelo direito e ficou fora do primeiro duelo da semifinal da Libertadores contra o Fluminense. Sem necessidade de cirurgia e com avaliação diária, o camisa 9 virou esperança para a volta — mas, no Maracanã, a preferência recaiu sobre Marlon Freitas.

A troca muda mais do que um nome. O plano indicado nos bastidores mantém três zagueiros, coloca quatro jogadores na faixa intermediária e deixa Flaco López à frente, com Arias e Andreas Pereira circulando atrás dele. É o tipo de desenho que, impresso, parece simples; em movimento, exige legenda, síndico e autorização para usar o salão de festas.

Marlon não imita Vitor Roque, e essa é justamente a lógica. Em vez de reproduzir a arrancada do atacante com um meio-campista usando bigode postiço, o Palmeiras tende a engrossar o setor onde o Fluminense busca Ganso para organizar. A ausência no ataque vira excesso de gente no corredor central, como se Abel Ferreira respondesse a uma cadeira vazia colocando três armários na sala.

Ramón Sosa apareceu entre as alternativas, mas também vinha de uma pancada na coxa. A comissão preferiu medir riscos e funções: atacar a última linha com a mesma velocidade seria difícil; controlar a origem das jogadas tricolores pareceu um caminho mais administrável. Não há substituição perfeita, apenas um novo acordo coletivo assinado às pressas antes de a bola rolar.

Vitor Roque seguirá acompanhado para o jogo de volta. Até lá, o Palmeiras troca o rugido direto pela burocracia tática: fecha espaços, reúne o condomínio no meio e espera que Flaco receba a única chave do portão ofensivo. A semifinal dirá se a assembleia produziu uma estratégia ou apenas mais uma ata que ninguém leu.