Milly Vanilla: Arias volta ao Maracanã, e as guaritas exigem cidadania plena

COLUNA · MILLY VANILLA

Jhon Arias reencontra o Fluminense pelo Palmeiras numa semifinal de Libertadores depois de uma negociação em que segurança familiar, transporte blindado e condomínio protegido pesaram na volta ao Brasil. O futebol, como sempre, começa na bola e termina estacionando diante de uma guarita.

É impossível ignorar o verdadeiro debate revelado por esse episódio: a exclusão política das guaritas condominiais. Elas observam todas as entradas, registram todas as saídas e, mesmo assim, jamais foram consultadas sobre o plano diretor, a taxa de coleta de lixo ou a cor do adesivo de visitante.

Defendo uma emenda constitucional que conceda cidadania plena às guaritas com mais de dois anos de serviço. Cada cabine teria título eleitoral, intervalo regulamentado e direito a uma bancada própria, desde que o interfone apresente comprovante de residência.

Alguém dirá que uma semifinal entre Fluminense e Palmeiras não tem relação racional com sufrágio de estruturas de alvenaria. É justamente esse tipo de pensamento que mantém milhares de portões automáticos sem voz nas decisões nacionais.

Quando Arias pisar no Maracanã, não estarei vendo apenas um reencontro esportivo. Verei a marcha silenciosa de todas as guaritas que sonham trocar o “pode entrar” por um solene “pode votar”. A Libertadores passa; a democracia do controle de acesso precisa permanecer.