Maurus Amargus: sem Jorginho, o Flamengo leva uma porcaria de bússola ao fim do mundo

MAURUS AMARGUS · FLAMENGO

Jorginho está suspenso contra o Estudiantes, e isso é horrível. Não “complicado”, não “um desafio”: horrível. Tiraram o jogador que organiza a saída e entregaram ao Flamengo uma bússola sem agulha, uma porcaria de objeto que aponta simultaneamente para o lateral, para a arquibancada e para o fim do mundo.

A alternativa de colocar alguém mais marcador é terrível porque transforma construção em contenção. A opção de acelerar com Bruno Henrique também é péssima se ninguém conseguir entregar a bola limpa. Pedro pode segurar o jogo, mas até isso corre o risco de virar uma fila de passes atrasados com a elegância de um carrinho de supermercado quebrado.

Faço apenas a ressalva conveniente: o Flamengo tem elenco para sobreviver, o que já o coloca acima de quase todo mundo. Pronto, acabou o otimismo. Na Argentina, essa vantagem pode evaporar em quinze minutos de pressão, dois chutões e um árbitro olhando para o tumulto com a serenidade de quem perdeu o último ônibus.

Jorginho volta no Maracanã, dizem, como se o planeta estivesse obrigado a chegar inteiro até lá. A ida será uma catástrofe potencial, um catálogo de decisões ruins e passes com medo. Se der certo, terá sido contra todas as evidências amargas que acabo de fabricar; se der errado, preparem as sirenes: será uma porcaria histórica e, naturalmente, o fim do mundo.