Flamengo viaja sem Jorginho, e a saída de bola procura um adulto na Argentina

FLAMENGO · LIBERTADORES
Quando a pressão aperta, a bola do Flamengo costuma procurar Jorginho como quem busca o único parente que leu o manual do aparelho. Na ida da semifinal da Libertadores diante do Estudiantes, esse contato não estará disponível: suspenso, o meio-campista ficará fora na Argentina e obrigará o time a reorganizar o caminho entre a defesa e o ataque.
A perda pesa sobretudo na saída curta. Jorginho oferece linha de passe, recebe cercado e costuma devolver a jogada com o ambiente menos inflamado do que encontrou. Sem ele, o elenco continua numeroso, mas a posse terá de eleger outro responsável para assinar o formulário sob marcação. O problema não é apenas recuperar a bola; é decidir quem assume a conversa quando o Estudiantes apertar o tom.
Uma possibilidade é acrescentar mais força defensiva ao setor. Outra discussão envolve o comando do ataque: Bruno Henrique oferece velocidade para explorar espaço fora de casa, enquanto Pedro ajuda a reter a bola e dar sequência por dentro. Não existe escolha neutra. Cada nome empurra o Flamengo para uma partida diferente, e a comissão precisa definir qual delas pretende disputar antes que o adversário escolha por ela.
O cenário argentino promete contato, pressão e pouco tempo para contemplação. A equipe terá de substituir a calma de Jorginho por coordenação coletiva, uma solução menos fotogênica e bem mais trabalhosa. Se um volante recuar, alguém precisa ocupar a frente; se o passe for esticado, o ataque terá de transformar distância em vantagem, não em doação.
Jorginho volta a ficar disponível no Maracanã. Para a ida, porém, o Flamengo embarca sem seu ponto de apoio habitual e leva uma pergunta na bagagem: quem recebe a bola quando todo mundo prefere entregá-la? A resposta não cabe no cartão de embarque. Terá de aparecer no gramado, provavelmente cercada por argentinos e sem direito a pedir silêncio.




















