Milly Vanilla: Viveros chega a 21 gols, e os carimbos de passaporte exigem representação nas gavetas
MILLY VANILLA
Kevin Viveros chegou a 21 gols no Brasileirão, igualou Aristizábal e passou a perseguir os 26 de Cano. O colombiano do Athletico converte cada entrada na área numa pequena repartição consular, carimbando a rede sem perguntar o motivo da viagem.
E é impossível observar esse fenômeno sem enfrentar a exclusão histórica dos carimbos de passaporte guardados nas gavetas. Enquanto atacantes estrangeiros recebem câmeras, estatísticas e aplausos, milhares de almofadas de tinta secam em silêncio, sem representação nem direito a intervalo.
Defendo a criação de uma bancada bicameral para objetos de fronteira. Cada gol de Viveros abriria uma cadeira para um carimbo; cada assistência garantiria voz consultiva a um clipe de papel; impedimentos seriam analisados por uma comissão de grampeadores com paridade territorial.
Alguns dirão que artilharia e material de escritório não possuem conexão racional. É exatamente esse argumento que mantém as gavetas fechadas. A racionalidade sempre foi redigida por quem tinha acesso à escrivaninha e nunca precisou pedir tinta emprestada.
Se Viveros alcançar Cano, não veremos apenas um recorde estrangeiro. Veremos a chance de uma sociedade admitir que nenhum passaporte deve ficar sem marca e nenhuma gaveta pode ser condenada ao anonimato administrativo. O gol, afinal, é uma fronteira vencida por chute.





















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