Maurus Amargus: São Paulo deixa Lucas para dezembro, e o calendário protocola o fim do mundo

MAURUS AMARGUS

O São Paulo deixou para a próxima gestão a decisão sobre Lucas Moura. É horrível. O jogador volta depois de 160 dias, participa de uma vitória e descobre que seu futuro depende de uma eleição, de dezembro e, provavelmente, de uma pasta bege esquecida sobre alguma mesa.

A gestão é péssima, o timing é terrível e a solução é uma porcaria embrulhada em papel timbrado. O contrato acaba no fim do ano. Em janeiro, Lucas pode estar livre. O clube, naturalmente, prefere aguardar a troca de presidente como quem espera o elevador enquanto o prédio pega fogo.

Não existe urgência no Morumbis; existe contemplação do desastre. O camisa 7 reconstruiu o tendão, recuperou movimentos e entrou em campo. A diretoria ainda tenta recuperar a capacidade de tomar uma decisão que caiba numa frase sem mencionar a próxima administração.

Dirão que há prudência. Bobagem. Prudência seria resolver o assunto antes de o calendário pedir advogado. Isso é o fim do mundo em versão cartorial: carimbo, eleição, ata, dúvida e um patrimônio esportivo olhando para a porta.

Talvez Lucas renove. Talvez não. Em qualquer cenário, o processo já foi péssimo. Se o São Paulo administrasse um despertador, transferiria o toque para dezembro, criaria uma comissão e acordaria em janeiro perguntando por que perdeu a hora.


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