Maurus Amargus: Santos paga três bans, mas quatro boletos mantêm o fim do mundo em cartaz

MAURUS AMARGUS

O Santos diz ter depositado R$ 950 mil para eliminar três transfer bans. Horrível. O clube comemora a possibilidade de reduzir sete punições para quatro como quem recebe parabéns por retirar três baldes de uma sala onde o teto continua desabando.

O depósito ainda precisa ser debitado. Até isso acontecer, tudo permanece terrível: sete travas, um comprovante e a esperança péssima de que a burocracia acorde bem-humorada. É uma porcaria transformada em estratégia financeira.

Mesmo que a Fifa retire as três punições, restarão quatro ligadas à antiga comissão técnica. A dívida passa de R$ 17,5 milhões. Não é solução; é intervalo comercial do desastre, com o Peixe nadando em papel timbrado e respirando pelo código de barras.

Há ainda clubes estrangeiros cobrando parcelas de contratações. Cada obrigação nova abre outra porta para o fim do mundo. Se existir um apocalipse específico para departamentos de futebol, ele provavelmente chega por e-mail, traz anexo em PDF e vence na sexta-feira.

A diretoria poderá dizer que agiu rápido. Rápido seria não acumular sete proibições. Agora o Santos tenta vender normalidade porque pagou parte do problema. A avaliação continua péssima, o cenário continua horrível e o prognóstico é uma fila de cobranças tocando campainha.

Talvez três bans desapareçam nos próximos dias. Quatro continuarão encarando o clube. Maurus não chama isso de avanço; chama de redução temporária do número de sirenes enquanto o prédio segue com fumaça.


Deixe um comentário