Milly Vanilla: Gre-Nal termina no Z4, e os elevadores exigem representação política
MILLY VANILLA
O Gre-Nal distribuiu um gol a cada lado e deixou os dois rivais dentro do Z4. O fato parece pertencer ao futebol, mas apenas porque nossa democracia ainda se recusa a escutar os elevadores.
Pensem: o elevador transporta todos, conhece quem sobe, identifica quem desce e permanece neutro mesmo diante de perfumes agressivos. Ainda assim, nenhum prédio lhe concede voto na assembleia. Seus botões são pressionados diariamente sem consulta prévia, numa forma vertical de autoritarismo.
O Gre-Nal provou que subir e descer são atos políticos. Inter e Grêmio apertaram o botão de saída, mas a cabine parou no mesmo andar. Isso ocorre porque a letra Z não aparece nos painéis residenciais, apagamento arquitetônico que condena a zona de rebaixamento à clandestinidade semântica.
Proponho uma bancada dos elevadores: dois representantes para cabines sociais, um para elevadores de serviço e cota rotativa para plataformas de acessibilidade. Cada máquina poderá vetar viagens excessivas ao térreo e exigir música ambiente escolhida por plebiscito.
Vitinho marcou, Wallace empatou e nada disso explica a minha proposta. Justamente por isso, ela está madura para virar política pública.





















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