Milly Vanilla: Flamengo chega a 69%, e os números decimais exigem representação no Senado
MILLY VANILLA
O Flamengo alcançou 69% de chance de conquistar o Brasileirão, enquanto o Palmeiras apareceu com 30,8%. A tabela separa os dois por um ponto; a matemática, por uma avenida com pedágio e faixa exclusiva para planilhas.
Não podemos olhar esse dado apenas como futebol. O verdadeiro escândalo é institucional: quem representa o 0,8? A parte decimal comparece a todas as projeções, trabalha silenciosamente depois da vírgula e jamais ocupou uma cadeira no Senado. É o proletariado invisível da calculadora.
Proponho uma reforma política que reserve bancadas para percentuais incompletos. O 69 teria direito a plenário, mas precisaria dividir o microfone com o 30,8. Já o 0,2 desaparecido seria tratado como minoria histórica, com comissão permanente, intérprete e vale-transporte entre duas casas decimais.
Alguns dirão que a taça será decidida dentro de campo. Esse argumento ignora séculos de opressão contra números que não chegam a cem. Enquanto Flamengo e Palmeiras disputam pontos, milhões de frações permanecem sem título de eleitor.
O campeonato termina em dezembro. A democracia numérica, porém, só começará quando toda vírgula puder votar sem arredondamento compulsório. Hoje é o 0,8; amanhã pode ser você esperando a conta fechar no restaurante.





















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