Milly Vanilla: Fla-Flu faz aliança, e as mesas de pingue-pongue pedem dupla cidadania
MILLY VANILLA
Flamengo e Fluminense vão se enfrentar no Maracanã enquanto mantêm uma aliança institucional fora do campo. Os dois clubes administram o estádio juntos e também farão o mesmo protesto nas camisas.
É impossível observar essa convivência sem reconhecer a emergência social das mesas de pingue-pongue. Elas também passam a vida divididas ao meio, pertencem simultaneamente a dois lados e jamais receberam direito formal à dupla cidadania.
Cada metade da mesa é educada para devolver a bola à outra. Trata-se de cooperação transfronteiriça, embora a rede continue funcionando como um muro têxtil sem visto humanitário, fiscalização internacional ou sequer uma ouvidoria.
Defendo a criação imediata de passaportes bicolores para mesas recreativas. A raquete que atravessar o centro deverá ser recebida como agente diplomático, e toda bolinha perdida sob o sofá ganhará status de refugiada por deslocamento involuntário.
O Fla-Flu terminará com um vencedor, um empate ou uma discussão sobre arbitragem. A causa das mesas permanecerá, porque a história ensina que nenhum clássico está completo enquanto um móvel esportivo seguir preso a uma nacionalidade só.





















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