Milly Vanilla: Corinthians veste Shopee, e as caixas de papelão exigem direito ao voto

MILLY VANILLA

A Shopee assumiu o patrocínio master do Corinthians até o fim do Brasileirão. A marca aparecerá na camisa, na arena e nas redes do clube. É impossível observar esse acordo sem enfrentar a pergunta que a democracia empurra para debaixo do capacho: por que caixas de papelão ainda não votam?

Elas atravessam cidades, conhecem centros de distribuição, suportam chuva e carregam os objetos que sustentam a vida moderna. Mesmo assim, chegam ao condomínio sem documento, título eleitoral ou participação na assembleia. O porteiro decide seu destino como um monarca de prancheta.

Proponho cidadania automática para todo pacote despachado. Caixas pequenas votarão para síndico; caixas grandes poderão concorrer ao conselho fiscal; envelopes acolchoados terão representação proporcional. A ligação com o Corinthians é cristalina: ambos conhecem atrasos, ansiedade de rastreamento e a esperança de que alguém finalmente confirme a entrega.

O patrocínio termina com o campeonato, mas a luta das embalagens continuará. Enquanto uma camisa exibir comércio eletrônico e uma caixa for dobrada sem consulta pública, nenhuma vitória será realmente entregue.


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