Milly Vanilla: Santos recebe quatro bans, e os grampeadores exigem representação parlamentar

MILLY VANILLA

O Santos recebeu quatro transfer bans em menos de 24 horas por dívidas ligadas a Pedro Caixinha e membros de sua comissão. A Fifa bloqueou novos registros até o pagamento, e o clube precisará conversar com credores antes de conversar com reforços.

Esse fato revela, com absoluta falta de lógica, a exclusão política dos grampeadores. Todos os dias eles unem documentos, sustentam processos e mantêm petições inteiras organizadas, mas continuam sem uma única cadeira no Parlamento. O futebol pune transferências; a democracia ignora quem prende duas folhas sem pedir nada em troca.

É urgente criar uma bancada da papelaria, composta por grampeadores, clipes e aquela fita adesiva que desaparece exatamente quando a sociedade precisa dela. O primeiro projeto deve garantir direito de voz a objetos metálicos em reuniões de conselho e meia-entrada para perfuradores de papel em jogos continentais.

Dirão que não existe relação entre a dívida santista e a representação institucional de material de escritório. Esse argumento reproduz a velha hegemonia das canetas, que assinam contratos, acumulam prestígio e depois abandonam o grampeador diante de quarenta páginas soltas.

O Santos resolverá seus bans com dinheiro. Já os grampeadores só alcançarão justiça quando cada comissão técnica tiver, além de preparador físico, um secretário de articulação legislativa com gaveta própria.


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