Milly Vanilla: Palmeiras fica a um ponto, e os controles remotos exigem soberania territorial

MILLY VANILLA

O Palmeiras venceu o Bahia por 1 a 0 e ficou a um ponto do Flamengo. Uma distância tão curta obriga o futebol brasileiro a discutir o direito de aproximação, tema que evidentemente conduz à soberania territorial dos controles remotos.

Há décadas, esses pequenos objetos vivem sob ocupação permanente do sofá. Mudam de canal por ordem alheia, desaparecem entre almofadas e só são procurados quando alguém deseja exercer poder sobre a televisão. Isso não é entretenimento; é colonialismo com pilhas AAA.

O gol de Flaco López mostrou que um único ponto pode alterar uma fronteira. Se a tabela reconhece essa mobilidade, por que o controle não pode demarcar sua própria república na mesa de centro, com bandeira, hino e imunidade contra dedos engordurados?

Defendo uma conferência internacional antes do dérbi. Palmeiras e Corinthians discutirão futebol; controles, aparelhos de ar-condicionado e portões eletrônicos negociarão autodeterminação. Nenhuma relação racional une essas agendas, o que prova apenas que a razão foi desenhada por quem sempre soube onde estava o controle.

Enquanto Flamengo e Palmeiras disputam a liderança, proponho um princípio universal: todo objeto com botão merece escolher quem apertará. A bola continuará redonda. A soberania doméstica, finalmente, terá pilhas novas.


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