Maurus Amargus: quatro gols em Curitiba e o futebol declara falência emocional

MAURUS AMARGUS

Dizem que Athletico e Atlético-MG fizeram um jogo emocionante. Horrível. Quando a defesa desaparece e dois gols surgem nos acréscimos, chamam o descontrole de espetáculo porque “uma porcaria tática” ocupa espaço demais na manchete.

Viveros marcou contra e depois a favor. Terrível. Um atleta prestando serviço para os dois placares é o aviso definitivo de que nem a identidade esportiva resistiu. Hoje ele corrige o próprio erro; amanhã o bandeirinha cobrará escanteio e o mascote pedirá impedimento.

Tomás Pérez foi expulso, o Furacão pressionou e ainda assim permitiu o empate de Lyanco no fim. Péssimo. Ter um jogador a mais já não basta porque o futebol brasileiro transformou vantagem num cupom vencido.

O 2 a 2 será vendido como valentia. Não comprem. Foi falência emocional em quatro prestações, com juros de VAR e garantia anulada na saída. A arquibancada vibrou porque ainda não percebeu que testemunhou o ensaio administrativo do fim do mundo.

Athletico chegou a 50 pontos; o Galo, a 44. Números frios tentando maquiar um cenário quente, barulhento e condenado. Minha previsão é simples: se outro jogo repetir esse roteiro, os acréscimos ganharão personalidade jurídica e pedirão para comandar o campeonato.

No domingo dirão que tudo passou. Não passou. A ruína apenas trocou de estádio, guardou o cronômetro e aguarda a próxima zaga oferecer hospedagem.


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