Brasileirão vende 90 minutos e entrega diferença de quase 16 entre partidas

FLUMINENSE · CORITIBA · BOTAFOGO · VASCO

Escudo do Fluminense

Dois ingressos, a mesma competição e quase dezesseis minutos de futebol separando a experiência do consumidor. O levantamento da rodada apontou 68min22s de bola rolando em Fluminense x Coritiba e 52min47s em Botafogo x Vasco.

A diferença exata foi de 15 minutos e 35 segundos. Em termos de Brasileirão, isso equivale a um intervalo clandestino, uma pequena prorrogação ou tempo suficiente para um treinador fazer três substituições, reclamar das três e explicar depois que o plano funcionou.

A média nacional melhorou com as medidas recentes contra paralisações, passando de 53min54s para 58min43s. Ainda assim, os jogos seguem oferecendo pacotes muito diferentes. Há partida no plano completo e há partida que parece ter usado cupom com limite de minutos.

Simulações, reposições demoradas, cera orientada, faltas em excesso e revisões do VAR ajudam a consumir o relógio. Santos x Flamengo ficou com 57min23s de bola em ação e quase dez minutos presos numa única revisão, recorde de espera desde a adoção do vídeo no campeonato.

O contraste não entrega sozinho um culpado. Árbitros, jogadores, goleiros, bancos e tecnologia dividem o cronômetro como quem divide uma conta e tenta empurrar a sobremesa para o outro.

Para o torcedor, sobra uma proposta comercial curiosa: todas as partidas anunciam noventa minutos, mas o futebol efetivamente recebido depende do lote. A tabela tem vinte clubes; o relógio, ao que parece, disputa um campeonato próprio.


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