Palmeiras e Bahia discutem ligação direta com um cabo de estatísticas

PALMEIRAS · BAHIA

Escudo do Palmeiras

Palmeiras e Bahia entram no próximo confronto carregando uma discussão que começou com Rogério Ceni chamando atenção para as bolas diretas do rival. A frase ficou no ar como lançamento do goleiro: longa, disputada e pronta para receber interpretação de quem estiver melhor posicionado.

Os números ajudam a estragar a briga mais fácil. O Palmeiras aparece apenas em 14º no Brasileiro em bolas longas por partida, com média de 27,53, e é o quarto em passes, com 414,07. O Bahia registra 26,25 lançamentos longos, a 16ª marca, e 409,28 passes, o sétimo maior volume. A planilha, com sua conhecida falta de espírito de arquibancada, recusou-se a escolher um vilão.

Isso não significa que a ligação direta tenha desaparecido. Abel Ferreira usa a ferramenta quando enxerga espaço, como quem pega o elevador sem renunciar à escada por convicção filosófica. A diferença é que o time também circula a bola bastante — detalhe inconveniente para qualquer rival interessado em resumir noventa minutos numa provocação portátil.

O Bahia de Ceni, por sua vez, gosta de ter a posse, aproximar jogadores e construir por baixo. Mas também sabe saltar setores quando a ocasião pede. No futebol moderno, a pureza de estilo dura até o zagueiro levantar a cabeça e notar um atacante correndo sozinho; depois disso, até a tese de doutorado vira chutão com boa assessoria de imprensa.

Quando a bola rolar, o debate ganhará grama e perderá vírgulas. Quem vencer dirá que executou um plano complexo. Quem perder explicará que o adversário simplificou demais. E os rivais do Palmeiras talvez aproveitem o assunto para recordar que, segundo a provocação deles, o clube não tem Mundial — contribuição histórica tão conectada às estatísticas quanto um cabo de telefone ligado a uma torradeira.