Maurus Amargus: Vitória e Chape se encontram, e o gramado confirma o fim do mundo
MAURUS AMARGUS
Vitória e Chapecoense chegam ao confronto com sequências ruins e uma coleção de desfalques. É horrível. O Barradão não receberá uma partida; receberá uma assembleia de preocupações com chuteiras, na qual até a maca pedirá para ser poupada.
O time baiano perdeu força justamente quando precisava de estabilidade. Terrível. Passou meses construindo um caminho aceitável e agora olha para a reta final como quem descobre que o asfalto termina numa escada. Não existe GPS para tamanho desânimo.
A Chape tampouco vence há cinco jogos. Uma porcaria. Empata, perde, volta ao vestiário e repete o protocolo como se a tabela distribuísse pontos por insistência burocrática. Se continuar assim, o clube terá mais boletins médicos do que finalizações perigosas.
O prognóstico é péssimo: um passe errado causará pânico, um escanteio contra será tratado como anúncio de invasão e qualquer empate no intervalo obrigará a Defesa Civil a explicar rotas de fuga. Há quem veja equilíbrio; eu vejo dois elevadores discutindo quem chega primeiro ao subsolo.
Isto é, sem qualquer exagero além de todos, o fim do mundo no Barradão. Talvez aconteça um bom jogo, hipótese indecente que me recuso a alimentar. O mais provável é a humanidade acordar depois do apito final um pouco mais amarga, enquanto a classificação mastiga o último pedaço de esperança.





















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