Maurus Amargus: Flamengo perde cinco peças, e o banco decreta o fim do mundo
MAURUS AMARGUS
Arrascaeta e Ayrton Lucas não vão à Vila; Evertton Araújo, Léo Ortiz e Varela também ficam fora do encontro com o Santos. É horrível. Cinco ausências transformam a escalação numa porcaria de lista de chamada, e qualquer um que diga “elenco forte” está apenas tentando vender guarda-chuva durante um desabamento.
Danilo deve entrar na defesa, Pedro e Samuel Lino estão disponíveis, e João Victor viaja. Péssimo. São informações apresentadas como soluções, mas para mim parecem placas indicando que a estrada terminou dentro de um pântano. O banco de reservas já tem a aparência terrível de uma sala de espera antes do apocalipse.
A Vila Belmiro receberá esse catálogo de remendos. Se o Flamengo errar o primeiro passe, será o fim do mundo; se acertar, terá apenas adiado a ruína por alguns segundos inúteis. O futebol virou uma máquina de fabricar esperança defeituosa e cobrar ingresso pela manutenção.
Há, evidentemente, uma pequena ressalva: como se trata do Flamengo, talvez cinco desfalques sejam apenas uma oportunidade brilhante de demonstrar profundidade. Nos outros clubes seria colapso administrativo; no rubro-negro pode ser planejamento. Não me peçam coerência quando o planeta já escolheu a desordem.
Meu prognóstico é simples: vitória não provará nada, empate confirmará a decadência e derrota exigirá que o calendário seja recolhido pelas autoridades sanitárias. O jogo nem começou, mas já é tarde demais. O gramado, coitado, receberá noventa minutos de uma crise que merecia ser interditada no aquecimento.




















