Maurus Amargus: Vasco corre para vender a SAF e a pressa inaugura o fim do mundo

MAURUS AMARGUS

Cento e trinta e cinco documentos chegaram perto da votação da SAF do Vasco. Isto é horrível. Se uma decisão desse tamanho cabe entre o café e a chamada nominal, então a governança brasileira já foi substituída por um botão escrito “aceitar todos os termos”.

Conselheiros dizem que faltam arquivos e temem repetir a experiência da 777. É terrível. O clube olha para uma cicatriz aberta e decide que a melhor providência é correr de olhos fechados na mesma direção, carregando um contrato maior do que o elenco.

A discussão sobre valores e participação futura é uma porcaria completa. Não porque investimento seja necessariamente ruim, mas porque pressa, lacunas e memória curta formam o pior meio-campo possível: ninguém marca, ninguém cria e todos deixam o patrimônio avançar sozinho.

O prognóstico é péssimo. Hoje chegam 135 documentos; amanhã alguém descobre o anexo 136 guardado atrás da máquina de refrigerante; depois o Vasco precisa convocar arqueólogos para localizar onde terminou o clube e começou o investidor.

Chamem-me de exagerado, mas isto é o fim do mundo societário em versão cruzmaltina. A votação pode até produzir um acordo responsável — hipótese ofensivamente otimista —, porém o simples espetáculo da correria já merece sirene, abrigo subterrâneo e suspensão preventiva da palavra “tranquilidade”.


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