Milly Vanilla: São Paulo perde clássicos e as catracas exigem paridade de giro
MILLY VANILLA
O São Paulo perdeu cinco clássicos consecutivos e ganhou apenas um dos últimos doze. Do outro lado do clube, as campeãs brasileiras têm 66,7% de aproveitamento nos confrontos com rivais. A notícia é futebolística até aqui, mas o dever ético manda perguntar: quem protege as catracas obrigadas a girar sempre para o mesmo lado?
Toda derrota em clássico começa quando milhares de pessoas atravessam um mecanismo metálico sem consultar sua orientação política. A catraca executa rotações repetitivas, recebe empurrões, não participa da escalação e ainda precisa ouvir que o meio-campo “não girou”. Apropriação de vocabulário mecânico, companheiras.
Proponho a paridade de giro: a cada torcedor que entra no sentido horário, outro deve passar no anti-horário, ainda que volte para a rua e perca o início do jogo. Também haverá uma assembleia trimestral para que roletas, molinetes e portas giratórias definam, por voto secreto, qual lado representa melhor seus afetos.
Alguns dirão que isso não melhora a marcação do São Paulo nem explica a superioridade do time feminino. Exatamente. Quando uma conexão é racional, ela corre o risco de virar análise; e análise não emancipa ferragens submetidas ao patriarcado do movimento circular.
Que o próximo clássico tenha igualdade, escuta e uma catraca livre para permanecer imóvel. Se o ataque tricolor quiser imitá-la, pelo menos agora será por solidariedade.





















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