Milly Vanilla: Santos fica invicto em clássicos e as gavetas pedem direito de resposta

MILLY VANILLA

O Santos passou por cinco clássicos paulistas no Brasileirão sem perder: três empates, duas vitórias e um encontro com o Palmeiras ainda pela frente. É uma campanha que vive entre o feito e a possibilidade do feito, esse corredor burocrático onde a estatística aguarda um carimbo para descobrir se pode sair na fotografia.

Isso nos obriga a discutir a situação política das gavetas. Há séculos elas recebem medalhas sem fita, projetos com uma assinatura faltando, pilhas usadas que ninguém sabe onde descartar e manuais de eletrodomésticos que só reaparecem depois que o aparelho quebra. Ninguém perguntou se a gaveta aceita custodiar tanta conclusão interrompida. Ninguém ofereceu direito de resposta.

Se o Santos terminar invicto contra todos os rivais, uma gaveta será libertada do peso de arquivar mais um “quase”. Mas e as outras? Proponho conselhos paritários em cada cômoda, com uma representante eleita pelas meias sem par e mandato rotativo para o compartimento dos cabos antigos. A democracia não pode parar na porta do armário só porque a madeira não preencheu o título eleitoral.

Alguns dirão que um jogo contra o Palmeiras não tem relação com a emancipação institucional do mobiliário. É justamente esse pensamento compartimentado que mantém milhões de puxadores sem voz. O Peixe joga por uma marca histórica; as gavetas, por algo maior: o direito de não serem culpadas por tudo o que a humanidade decidiu guardar e esquecer.


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