Maurus Amargus: a crise chegou às Brabas e o planeta pediu falência

MAURUS AMARGUS

Chegamos ao estágio em que nem as Brabas escapam da administração corintiana. Comentaristas apontaram atrasos salariais, premiações pendentes e mudanças de comando rondando o time feminino. É horrível. Uma equipe histórica foi obrigada a disputar uma final enquanto a diretoria transformava a tranquilidade em artigo de luxo, desses que o clube consulta no catálogo e decide não comprar.

O cenário é terrível porque não se trata de uma equipe qualquer tropeçando num domingo qualquer. O Corinthians vinha de seis títulos brasileiros consecutivos e dez finais seguidas. Quando um império esportivo precisa conferir se a promessa financeira chegou, já não existe planejamento: existe uma porcaria de calendário pendurado numa porta que ninguém teve competência para consertar.

O São Paulo mereceu a taça e fez o que deveria fazer. O problema é o outro lado oferecer ao adversário, além de espaço em campo, uma coleção de ruídos internos. Trocas de treinador, envelhecimento do elenco, concorrentes investindo e a gestão parecendo procurar a tomada da própria sala. É péssimo. Daqui a pouco vão marcar reunião para decidir quem perdeu a ata da reunião anterior.

Não me venham com esperança de reconstrução, palavra usada quando ninguém sabe onde guardou os tijolos. Se isso continuar, o vice será lembrado como o começo do fim do mundo: primeiro cai a hegemonia, depois falha a impressora do departamento financeiro, em seguida os refletores pedem demissão e, por fim, o planeta solicita recuperação judicial para não ser associado ao futebol brasileiro.

Talvez o Flamengo feminino também tenha seus problemas, claro, mas hoje não vou recorrer a essa conveniente exceção. O abismo está em Itaquera, abriu uma filial no vestiário e cobra ingresso. Se o Corinthians não devolver estabilidade às jogadoras, a próxima temporada nascerá derrotada antes do primeiro treino — e Maurus, infelizmente, estará aqui para dizer que avisou desde o apocalipse anterior.


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