Crise do Corinthians atravessa o corredor e bate à porta das Brabas

CORINTHIANS

Escudo do Corinthians

No Corinthians, o extracampo não respeitou a placa de “acesso restrito”. Ao analisar a perda do Brasileiro Feminino para o São Paulo, Alícia Klein e Fabíola Andrade apontaram que atrasos salariais, premiações pendentes da Libertadores e a instabilidade administrativa acabaram cercando também as Brabas. O problema saiu do escritório, atravessou o corredor e pediu chuteira no vestiário.

A avaliação não apaga o mérito do campeão nem transforma boleto em volante marcador. O São Paulo fez a melhor campanha, venceu a ida na Neo Química Arena e segurou o empate decisivo no Morumbis. Mas ajuda a explicar por que uma equipe acostumada a administrar finais chegou à decisão carregando, além da pressão esportiva, uma mochila que deveria permanecer na sala da diretoria.

As comentaristas também destacaram as mudanças no comando técnico e a necessidade de renovação do elenco. O Corinthians passou de Arthur Elias a Lucas Piccinato e depois a Emily Lima, enquanto adversários como São Paulo, Palmeiras e Bahia ampliaram investimento. A concorrência evoluiu; o clube que dominava o mapa descobriu que os outros aprenderam a usar GPS.

A ironia é especialmente pesada porque a equipe feminina construiu uma das histórias mais vencedoras do futebol sul-americano. Quando salários e prêmios viram assunto recorrente, a excelência do campo precisa funcionar como fiadora de uma gestão que não marcou presença na assinatura. As jogadoras entram para defender o título e acabam tendo de defender também a normalidade.

O vice-campeonato, portanto, não autoriza funeral para a era das Brabas, mas entrega um aviso com letras grandes. A hegemonia terminou dentro de campo; a resposta precisa começar fora dele. Se o Corinthians quiser voltar à final sem carregar uma planilha na meia, terá de tratar estabilidade como fundamento básico — daqueles que não aparecem no melhores momentos, mas decidem quem chega inteiro ao apito final.


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