São Paulo perde invencibilidade e sai do Morumbis com dois boletos médicos

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Escudo do São Paulo

O São Paulo perdeu por 2 a 1 para o Santos e descobriu que uma noite pode entregar derrota, fim de série e fila no departamento médico no mesmo pacote. Faltou apenas o laço, porque elegância seria provocação.

Rafael sentiu a lombar ainda no aquecimento. O incômodo apertou, o goleiro não começou a partida e Coronel assumiu a vaga com a mesma antecedência de quem é chamado para substituir um colega quando já está estacionando.

Luciano sofreu dores no adutor durante o segundo tempo. Como Dorival Júnior já havia usado as cinco alterações, o atacante permaneceu até o fim, numa aplicação prática do método administrativo chamado “não há mais botão disponível”.

Os dois serão avaliados antes do duelo com o Cruzeiro. O calendário, demonstrando a sensibilidade de um cobrador automático, não concedeu prazo extra nem perguntou se o formulário médico estava completo.

A derrota encerrou mais de seis meses de invencibilidade do São Paulo no Morumbis. O último visitante a vencer ali tinha sido o Palmeiras; o Santos pegou a senha seguinte e demorou tanto para ser atendido que a recepção quase fechou.

O Tricolor permanece com 36 pontos, na 11ª colocação. Não é o porão da tabela, mas também não é o terraço: é aquele andar intermediário em que o elevador para e ninguém sabe se deve entrar.

Depois do Cruzeiro, o São Paulo voltará ao Morumbis contra o Vitória, outro clube da parte inferior da classificação. A agenda oferece a possibilidade de recuperação e, com ela, a obrigação de não transformar possibilidade em mais um documento pendente.

Rafael e Luciano representam as preocupações imediatas. A maior, porém, cabe inteira no placar: o São Paulo voltou para casa e descobriu que nem a casa quis protegê-lo.