Milly Vanilla: Carlinha defende pênalti e as filas de supermercado exigem autodeterminação

COLUNISTAS · MILLY VANILLA

Carlinha errou na saída que resultou no empate do Corinthians e depois defendeu o pênalti de Gabi Zanotti. O São Paulo ficou com o título brasileiro, diante de um Morumbis lotado, porque uma pessoa não pode ser reduzida ao seu primeiro movimento.

É exatamente por isso que precisamos falar das filas de supermercado.

Todos os dias, carrinhos são obrigados a avançar numa única direção, presos entre fitas retráteis e placas que ordenam onde começar. Ninguém pergunta à fila se ela prefere dobrar à esquerda, formar um círculo ou simplesmente contemplar a seção de congelados.

Carlinha teve o direito de corrigir a própria trajetória. A fila do caixa rápido, não. Se entra na faixa dos dez volumes com onze produtos, recebe julgamento público, contagem ostensiva e o peso moral de uma lata de ervilha excedente.

Defender um pênalti é ocupar o espaço correto no instante decisivo. Escolher um caixa também deveria ser. Proponho o Estatuto da Autodeterminação das Filas, com direito à mudança de corredor, arrependimento sem buzina e proteção contra o carrinho que encosta no calcanhar.

O São Paulo levantou a taça. Que as filas levantem as fitas e escolham seu próprio destino, mesmo que ele termine perto das pilhas.


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