Milly Vanilla: Ancelotti pede alegria e os grampeadores exigem felicidade no trabalho
COLUNISTAS · MILLY VANILLA
Ancelotti pediu que a Seleção recupere a alegria de jogar futebol contra a Índia. A frase deveria orientar onze atletas. No entanto, ela revela uma emergência muito mais profunda: por que os grampeadores de escritório nunca tiveram seu direito à felicidade reconhecido?
Eles passam o dia pressionados, recebem pancadas na cabeça e ainda são culpados quando o grampo entorta. Nenhum setor de recursos humanos pergunta se estão realizados. Nenhuma pesquisa de clima oferece a opção “travado por exaustão emocional”.
Se jogadores podem buscar alegria em campo, grampeadores devem perseguir propósito sobre a mesa. Proponho pausas restaurativas, rodízio de gavetas e licença remunerada sempre que cinquenta folhas forem apresentadas como se fossem uma tarefa razoável. Furadores de papel poderiam atuar como mediadores.
A conexão entre o amistoso em Calcutá e o sofrimento da papelaria corporativa não existe. É justamente essa invisibilidade racional que mantém milhares de grampeadores presos a trabalhos mecânicos, privados até do direito de escolher a cor do próximo grampo.
Que o Brasil jogue sorrindo. Mas que ninguém celebre enquanto um grampeador cinza, no terceiro andar, continuar fechando relatórios sem jamais receber um “namastê”.





















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