Milly Vanilla: Rômulo joga de meia e liberta as meias da monogamia compulsória
MILLY VANILLA · COLUNA
Rômulo está bem no Novorizontino e associa parte do rendimento à sequência no meio-campo, sua posição de origem. É um meia que encontrou espaço para ser meia. Não consigo ler isso sem pensar no autoritarismo afetivo das gavetas.
Por que duas meias precisam permanecer juntas para sempre só porque saíram da fábrica na mesma embalagem? Uma azul pode desejar conhecer uma listrada. Uma esportiva talvez não queira passar o resto da vida ao lado de alguém que só fala de amortecimento. A lavanderia, tão acusada de separar pares, pode estar conduzindo a maior experiência de autonomia têxtil do país.
Reconheço que um jogador de futebol e uma peça de roupa compartilham apenas uma palavra. Considero essa ligação frágil suficiente para exigir uma reforma social completa. O Estado deveria assegurar que nenhuma meia fosse descartada por ter deixado uma relação que já não aquecia ninguém.
O Palmeiras discutirá o futuro de Rômulo com critérios esportivos. Eu discutirei o futuro da minha gaveta com um manifesto e três panfletos. Se aparecer uma meia sozinha, não direi que está perdida: direi que finalmente recuperou o direito de escolher em qual pé deseja viver.





















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