Milly Vanilla: Flamengo Maricá e o direito das placas a um sobrenome

MILLY VANILLA · COLUNA

O Flamengo feminino vai adotar o nome Flamengo Maricá após a aprovação de uma parceria de R$ 10 milhões anuais com a prefeitura. O acordo também prevê trabalho de base na cidade. Até aqui, futebol.

Mas por que apenas um time pode receber um sobrenome geográfico? A placa “Rua das Flores” atravessa décadas de chuva sem que ninguém lhe ofereça uma segunda identidade. Defendo, portanto, uma política nacional de dupla cidadania para placas de rua. Cada esquina deveria poder anexar o nome de um município que a compreenda emocionalmente.

Não há relação racional entre o contrato esportivo e a solidão das placas. Essa é precisamente a injustiça que meu argumento precisa ignorar para continuar de pé. Imaginem “Rua das Flores Maricá” no GPS: ao errar a curva, o motorista ao menos sentiria que entrou numa discussão sobre pertencimento.

Enquanto a parceria do clube terá de ser medida por jogadoras formadas e jogos realizados, minha causa pode ser aprovada sem orçamento: basta uma caneta muito confiante e nenhuma pergunta adicional.


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