Maurus Amargus: a camisa 10 vazia anuncia o fim do mundo
MAURUS AMARGUS · COLUNA
Raphinha foi cortado da Seleção por um pequeno edema na coxa. Pequeno, dizem. Horrível, digo eu. O futebol brasileiro sempre começa o desastre diminuindo o nome da lesão. Daqui a pouco chamarão um incêndio no estádio de aquecimento pré-jogo.
A CBF não convocará substituto. Terrível. Deixar a camisa 10 sem reposição é uma porcaria de ideia que transforma o cabide em opção tática. No próximo amistoso, se a bola sair pela lateral, dirão que foi uma experiência de circulação periférica.
O time venceu a Austrália por 4 a 2, mas vitória passada não costura músculo. A notícia é péssima, e meu prognóstico é conscientemente ridículo: o próximo passe errado será apresentado como o fim do mundo, seguido de coletiva para explicar que o mundo ainda tem segundo tempo.
Não peço pânico aos jogadores; isso já faço sozinho. Peço apenas que ninguém confunda precaução médica com garantia de alegria futura. Neste escritório, até o boletim de recuperação chega carimbado como presságio.





















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