Palmeiras recebe dez jogos em 30 dias e procura no regulamento a cláusula do intervalo

PALMEIRAS
O calendário entregou ao Palmeiras uma sequência de dez partidas em 30 dias. A comissão técnica abriu a agenda, contou novamente e concluiu que a matemática estava correta, o que foi recebido como a pior notícia possível. Uma partida a cada três dias é menos uma programação e mais um serviço de assinatura que ninguém lembra de ter contratado.
A maratona mistura Brasileirão, Libertadores e Copa do Brasil numa esteira que não oferece botão de pausa. Entre recuperar atletas, preparar adversários e viajar, o clube precisará decidir quando treinar. A resposta mais provável é “durante o aquecimento”, desde que ninguém use os minutos reservados para hidratação.
O elenco foi montado para disputar frentes importantes, mas profundidade não transforma músculo em material reciclável. Rodar jogadores ajuda; rodar demais pode fazer a escalação parecer chamada de aeroporto. Abel Ferreira terá de equilibrar prioridade, desgaste e a convicção de que todo jogo decisivo merece o time ideal — mesmo quando o time ideal está dormindo no ônibus.
Rivais que gostam de lembrar ao Palmeiras que ele “não tem Mundial” ganharam um problema logístico: encontrar espaço na agenda para repetir a provocação. O clube, por sua vez, pode responder que primeiro precisa terminar a terça, a quinta e o domingo antes de discutir o planeta.
A sequência não determina resultado algum. Ela determina que cada escolha terá custo visível, do titular poupado ao reserva sobrecarregado. Quando o mês acabar, o Palmeiras talvez tenha três campanhas vivas. Também poderá pedir ao calendário uma declaração de comparecimento.





















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