Palmeiras projeta 16 finais e ameaça esgotar o estoque de emoção da temporada

Escudo PalmeirasPALMEIRAS

A palavra final costumava anunciar que alguma coisa estava perto de acabar. No Palmeiras, pode anunciar que faltam outras quinze. Vivo no Brasileiro, na Libertadores e na Copa do Brasil, o clube trabalha com a perspectiva de até 16 compromissos decisivos na reta de encerramento da temporada. O coração do torcedor leu e solicitou férias. A conta tem dez partidas de liga e pode ganhar três em cada copa, caso o time alcance as respectivas decisões. Não são 16 jogos já garantidos, muito menos 16 taças disponíveis. Parte do calendário precisa ser conquistada em campo. O fornecedor de confete faria bem em esperar antes de cortar todo o papel.

No Brasileiro, a diferença para o Flamengo é de três pontos. Nas copas, a semifinal dá ao vocabulário dramático uma boa justificativa. O exagero começa quando toda rodada recebe tratamento de cerimônia de encerramento. O gandula recolhe a bola, o torcedor procura o pódio e ainda falta uma viagem de ônibus para o jogo seguinte.

Há mérito em disputar tanta coisa ao mesmo tempo. Também há cansaço, suspensões, decisões táticas e a desagradável obrigação de enfrentar adversários que não comparecem para entregar medalhas. A frase de motivação só funciona se sobreviver ao primeiro passe errado. Depois dele, é preciso voltar a marcar alguém.

O palmeirense poderá comemorar muito se os resultados ajudarem. Até lá, convém economizar a voz e não abraçar o vizinho como campeão a cada cobrança de lateral. Dezesseis finais exigiriam dezesseis despedidas emocionadas da temporada. Na última, já não sobraria lágrima: apenas um aperto de mão e a pergunta sobre onde estacionou.


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