Maurus Amargus: nove pontos na lembrança e uma eternidade de sofrimento
MAURUS AMARGUS
Horrível. O São Paulo olha para os adversários que ainda enfrentará e descobre que fez nove pontos contra eles no primeiro turno. Nove. Uma lembrança péssima, uma porcaria de material para quem procura dormir tranquilo. Eu já tirei o travesseiro da cama para não criar expectativas.
Repetir esses resultados levaria os atuais 36 pontos a 45. Há quem veja aí uma referência de permanência. Eu vejo onze partidas capazes de transformar cada domingo numa assembleia extraordinária do desespero. O time não está rebaixado e essa conta não prevê o futuro; infelizmente, a obrigação de assistir para descobrir já é uma notícia terrível.
O próximo clássico ainda terá a ausência de Calleri, suspenso. Que maravilha horrenda: a reta final pede respostas e uma das opções do ataque está indisponível. Não afirmo que tudo dará errado. Afirmo que o futebol desenvolveu maneiras muito criativas de estragar a tranquilidade de quem liga a televisão.
Na minha previsão deliberadamente apocalíptica, cada passe lateral atrasará a rotação da Terra. Um cruzamento sem destino apagará uma constelação. Se a melhora depender de reproduzir o turno anterior, preparem os abrigos: será o fim do mundo com narração, replay e alguém garantindo que o empate ainda serve.
Pode haver reação? Pode, e eu terei o dissabor de precisar esperar por ela. Até lá, considero péssimo esse convite à esperança parcelada. Onze jogos para descobrir se o ano acaba em paz é sofrimento demais. Quando o árbitro finalmente encerrar o campeonato, vou reclamar dos acréscimos que a vida nos deu.





















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