Maurus Amargus: uma semifinal e dois convites ao desastre

MAURUS AMARGUS

Que notícia horrível: Grêmio e Atlético-MG já sabem onde disputarão a semifinal da Copa do Brasil. Primeiro em Porto Alegre, depois em Belo Horizonte. Para alguns, isso é organização. Para mim, é a distribuição antecipada de dois endereços para o sofrimento.

A ida promete ser terrível porque uma vantagem pequena viraria pretexto para ansiedade; uma desvantagem seria uma porcaria ainda mais completa. O jogo de volta, por sua vez, oferece noventa minutos extras de oportunidades para que qualquer chute torto seja tratado como o fim do mundo. Nada aconteceu em campo ainda, e o calendário já conseguiu estragar meu sossego.

Tenho péssima opinião sobre a palavra ‘decisivo’. Ela obriga todo passe a carregar uma tonelada e todo escanteio a parecer audiência final de um tribunal cósmico. O Grêmio pode vencer, perder ou empatar; nenhuma dessas possibilidades me faz gostar da espera. Sou coerente na amargura, o que já é mais do que se pode dizer de certas tabelas.

O Atlético também terá sua Arena para a volta. Excelente, mais um lugar onde o eco poderá devolver ao torcedor cada reclamação em volume dobrado. Imagino a bola batendo na trave e provocando um eclipse sobre as duas cidades. Trata-se, obviamente, de um prognóstico apocalíptico meu, não de uma previsão meteorológica.

Registrem meu desagrado em ata. A ata também será péssima.

Os finalistas só serão conhecidos após os jogos. Eu já conheço o resultado da minha semana: péssima. Se houver bom futebol, reclamarei da tensão. Se houver futebol ruim, terei sido otimista sem querer. Horror em dois atos, com intervalo para trocar de estádio.


Deixe um comentário