Arrascaeta volta de amistoso com punho lesionado; Flamengo refaz o quebra-cabeça

Escudo FlamengoFLAMENGO

Arrascaeta entregou ao Uruguai um gol, uma assistência e uma notícia que o Flamengo dispensaria. Uma queda no amistoso contra a Coreia do Sul terminou com fratura no punho esquerdo; o meia deixou o campo e, segundo o noticiário, precisará de cirurgia. Não há motivo para transformar o desconforto do jogador em piada. O absurdo está na capacidade do calendário de trocar uma ficha de atuação por uma planilha de substituições no mesmo dia.

Na Gávea imaginária, alguém despeja todas as peças de um quebra-cabeça sobre a mesa. A peça de Arrascaeta vem com um aviso de que pertence a uma pessoa, não ao desenho. Enquanto ele recebe cuidados, o técnico terá de descobrir como distribuir criação, passes e bola parada entre os disponíveis. Pressionar um punho para acelerar um cronograma não acrescenta criatividade ao meio-campo. A lesão ocorreu depois de um jogo no qual o uruguaio já havia participado diretamente do placar. É o detalhe que irrita o torcedor: a seleção usufrui do talento; o clube recebe a necessidade de reorganizar o elenco. Isso não autoriza culpar automaticamente a federação ou prever um retorno sem avaliação médica.

O Flamengo tem recursos para testar outras combinações. O desafio é fazer a equipe produzir sem pedir que um reserva imite exatamente o ausente. Uma escalação montada por cópia só descobre tarde demais que faltou a peça original.

Arrascaeta falou publicamente com confiança após a notícia. O que se pode desejar agora é tratamento e recuperação adequados. O resto do quebra-cabeça pertence ao treinador — e não melhora quando a arquibancada sacode a caixa.


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