Sem pênalti, Corinthians descarta conspiração e tenta localizar a área adversária

Escudo CorinthiansCORINTHIANS

Visita guiada à marca do pênalti: favor não tocar.

O Corinthians é o único time da Série A que ainda não teve uma cobrança a favor neste Brasileirão. A bolinha de cal continua ali, a onze metros do gol, preservada de qualquer interferência corintiana. Um patrimônio que o ataque tem protegido com dedicação excessiva.

A leitura interna do clube, segundo o noticiário, passa longe de uma conspiração da CBF. Há autocrítica pela produção ofensiva: frequentar menos a área reduz a chance de provocar lances de pênalti. Contra o Corinthians, já foram marcados quatro. O endereço, portanto, consta no cadastro dos árbitros; falta o time visitá-lo na condição de interessado.

Na excursão imaginária, o guia aponta a pequena área e pede que ninguém se disperse. Um torcedor pergunta se é permitido entrar naquele retângulo maior sem agendamento. Outro reconhece a marca da cal pela televisão, mas gostaria de vê-la com um jogador alvinegro parado atrás da bola, em vez de voltando para recompor.

Seria confortável atribuir tudo a uma sociedade secreta. O problema é que a sociedade exigiria uma logística sofisticada para obter o mesmo efeito de uma jogada que termina longe do gol. Melhorar a circulação, aproximar gente e incomodar a defesa oferece menos episódios para um documentário, porém talvez produza futebol.

Ninguém está pedindo um pênalti por fidelidade, nem carnê com direito à primeira cobrança grátis. A tarefa é atacar o suficiente para que a discussão surja dentro da área. Quando acontecer, o museu perde uma peça; o torcedor, com sorte, ganha onze metros de esperança. E pode dispensar o audioguia.


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