Ancelotti põe o efeito das críticas em zero; debate esportivo pede revisão do volume
SELEÇÃO BRASILEIRATodo mundo falando ao mesmo tempo e Carlo Ancelotti respondendo com um número só. Perguntado sobre o efeito das críticas nas ideias que tem para a Seleção, o treinador disse que a influência é zero. Foi uma resposta curta o bastante para sobrar quase um programa inteiro discutindo por que ela não deveria ser tão curta.
Na entrevista em Brisbane, antes do segundo amistoso com a Austrália, o italiano defendeu a formação de uma nova geração e a observação de jogadores jovens. A fala veio em meio à cobrança pelo desempenho da equipe. Manter convicções, porém, não coloca automaticamente a bola no gol; a avaliação continuará passando pelo futebol jogado.
O choque de ritmos é irresistível. De um lado, um técnico fala em futuro e desenvolvimento. Do outro, o torcedor gostaria que o futuro estivesse pronto antes de terminar o café. Se a Seleção fosse uma encomenda, já haveria alguém atualizando o rastreamento a cada quinze segundos e reclamando que o talento ainda está em trânsito.
A firmeza do treinador não encerra o debate, assim como aumentar o volume do debate não escala um meio-campo melhor. O time precisa transformar a oportunidade dada aos jovens em organização, criação e resultado. São tarefas que têm a inconveniência de exigir treino, em vez de uma frase perfeita para a entrevista. Na próxima partida, as ideias voltam ao gramado e poderão ser cobradas pelo que produzirem. Até lá, quem vende controle remoto encontrou um desafio comercial: o país inteiro apertando mais, Ancelotti mantendo o zero e a televisão sem nenhum botão capaz de finalizar uma jogada.





















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