Scarpa inspira clube do livro e Atlético-MG descobre torcida que cobra final sem prorrogação

ATLÉTICO-MG
O Atlético-MG ganhou um movimento de torcida que não depende de VAR. As resenhas de Gustavo Scarpa nas redes inspiraram a Galeitura, clube do livro formado por atleticanos. A primeira leitura coletiva escolheu Tolstói. Para quem esperava só comentário sobre cruzamento e escanteio, a pauta apareceu com capa dura e várias perguntas sobre a vida.
A arquibancada continua interessada em resultado. O que mudou foi o repertório da espera. Há torcedor que agora discute o protagonista de A Morte de Ivan Ilitch enquanto acompanha a tabela. Uma página pode ser relida; aquele gol perdido aos 89 minutos, infelizmente, também, embora ninguém tenha solicitado uma segunda edição.
O grupo ultrapassou o círculo da torcida e chamou atenção fora do país. Scarpa não virou professor de literatura por decreto, nem um romance substitui o treino de finalização. A graça está em descobrir que uma recomendação do camisa do Galo pode levar alguém à livraria com a mesma convicção com que antes corria para comprar ingresso.
No próximo jogo, o placar seguirá soberano e o livro não terá direito de entrar no segundo tempo. Mas, se a partida for sofrida, haverá ao menos uma saída que o juiz não pode anular: fechar a transmissão, abrir o capítulo seguinte e escolher, por alguns minutos, outro tipo de drama.





















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